escravidão na actualidade - nunca existiram tantos escravos como agora








EXISTEM 29.800.000 DE ESCRAVOS NO MUNDO EM 2013:


A ONG australiana Walk Free Foundation publica pela primeira vez seu Índice Global de Escravidão, que reúne dados de 162 países.
O índice de escravidão de cada país (varia de 0 a 100) dá a sua posição no ranking mundial e o total de escravos estimados (números absolutos).

A maioria está concentrada em 10 países, sobretudo da Ásia e da África. O índice revela que o problema também atinge países com um «Índice de desenvolvimento humano muito elevado» como Portugal, Suíça ou Suécia, embora em proporções bem menores. Só no Reino Unido, por exemplo, calcula-se que haja até 4.600 escravos.




Actualmente os escravos não estão à venda em praça pública, com o pescoço ou os pés atados por correntes. Estão presos com outras amarras: são crianças obrigadas a pegar em armas e combater em guerras; adolescentes forçadas a casamentos que, na realidade, escravizam; vítimas de um lucrativo tráfico que sequestra e vende pessoas para trabalho forçado nos seus países ou no exterior. Homens e mulheres também são escravizados por conta de dívidas que nunca conseguirão pagar.

Há um elemento comum nas várias formas da escravidão do passado e moderna: exploração econômica. Os escravos modernos estão escondidos em casas, em plantações na índia, nos prostíbulos da Tailândia ou nas fábricas de carvão do Brasil e geram 32 mil milhões de dólares (US$).

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, tem um programa para combater o trabalho forçado no mundo, que afecta 12,3 milhões de pessoas. Mas isso não inclui muitas outras formas modernas de escravidão, explica o sociólogo americano Kevin Bales — autor do estudo da Walk Free Foundation. Assim, o estudo Índice Global de Escravidão trata também de um aspecto da escravidão moderna que é frequentemente ignorado por muitos países: os casamentos forçados.

— Muitos países não encaram os casamentos forçados. porque acham que casamento é esfera privada. Não estamos falando de casamentos arranjados. Estamos falando de algo que envolve o uso de força e escravização. É importante fazer a distinção e queremos chamar a atenção das pessoas para isso — afirma Kevin Bales.

A Mauritânia, país muçulmano do Norte da África, lidera o índice de Escravidão Global com um recorde particularmente dramático, segundo o estudo: nesse país com apenas 3,8 milhões de habitantes, mais de 4% da população está escravizada, de acordo com o documentado pela Walk Free Foundation, mas esse número pode ser ainda maior. A escravidão é hereditária. Adultos e crianças são, literalmente, "propriedade" de seus senhores, que têm direito total também sobre os descendentes. Mulheres, na Mauritânia, são consideradas como menores de idade: não há lei que combata a violência contra elas e estupro no casamento não é considerado crime. A escravidão só foi declarada ilegal em 1981, por um decreto que levou anos para ser implementado. Só em 2007 baixou-se uma lei definindo escravidão e abrindo a possibilidade de compensação às vítimas.

O Haiti só agora debate um projeto de lei para tornar tráfico humano um crime. O maior problema no país caríbenho é a escravização de crianças para trabalho, conhecida como Restavek. É prática cultural habitual, crianças pobres do campo serem enviadas para trabalhar para famílias mais ricas nas zonas urbanas. O estudo calcula que entre 300 mil e 500 mil crianças sejam exploradas por esse sistema e afirma que muitas "sofrem a forma mais cruel de negligência — sem comida, água, uma cama para dormir e abuso físico e emocional constante". 

Em termos absolutos, os países com os maiores números de escravos citados no estudo são Índia (14 milhões), China (2,9 milhões) e Paquistão (2,1 milhões).

A Ásia é, claramente, o continente com o maior percentual de escravos: detem 72,14% dos 29,8 milhões de escravos existente em 2013 no mundo. O Paquistão (terceiro no índice global) figura como o pior caso do continente, em relação ao total da população, seguido da Índia, Nepal, Tailândia, Laos e Camboja. Se na Austrália a legislação e as políticas de combate à escravidão são rigorosas, países como Japão, China e Papua Nova Guiné têm poucas leis de combate ao problema.

A Europa — particularmente o lado ocidental — é o continente menos afetado pelo problema: 1,82% dos escravos estimados no mundo. O pior desempenho é de países do antigo bloco soviético, como Albânia, Montenegro, República Tcheca, Hungria e Bulgária. No índice global, a Islândia tem a melhor classificação, com a menor proporção de escravos, seguida da Irlanda e do Reino Unido. Mas, como sublinhou o estudo, a decepção é que "muitos destes países poderiam, com suficiente vontade pública, se livrar da escravidão".


OS PAÍSES ISLÂMICOS DO MÉDIO ORIENTE E ÁFRICA: MULHERES EXPLORADAS

No Médio Oriente e no Norte da África concentram-se 2,54% do total de escravos no mundo, com Sudão, Líbia, Arábia Saudita e Jordânia liderando como piores casos. O maior problema nessa região é exploração de mulheres: casamentos forçados de crianças, assim como tráfico de mulheres para prostituição ou trabalho doméstico forçado.

No antigo mundo soviético, há governos como o do Uzbequistão que, segundo um relatório da organização Human Rights Watch, força 1.000.000 de pessoas a trabalhar nas plantações de algodão durante dois meses do ano.

Na América, o pior caso (segundo lugar no índice global e primeiro no continente) é o Haiti, seguido do Peru, Suriname, Equador, Uruguai e Colômbia.