a escola sem soluções

Há cerca de um mês que não venho aqui escrever.
Porquê? Muito simples: trabalho, trabalho, trabalho...

Em quê? Muito simples: preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos, manutenção do blogue da disciplina, encontros com encarregados de educação, registos de faltas dos alunos, substituição de aulas de uma colega que está de baixa e papelada, papelada e mais papelada relacionada não só com a Direcção de Turma, mas com tudo o que diga respeito ao departamento e grupo disciplinar.

Há cerca de um mês que as minhas 35 horas de trabalho semanais que a lei prevê são acrescentadas de, pelo menos, 15 ou 20 horas. E tenho a certeza que muitas dessas horas não são de trabalho com as oito turmas que tenho a meu cargo. Há muito trabalho ligado à Direcção de Turma e a muitas outras tarefas que não apenas ligadas à docência, mas a projectos (a Educação Sexual, o Parlamento dos Jovens, o moodle, a blogosfera, as visitas de estudo, as acções formação e muito mais).

Que venha depressa a pausa lectiva do Natal para compensar aqueles que mais têm sido prejudicados por esta situação de excesso de trabalho: a minha família, sobretudo os filhotes.
Ver em NA SALA DE AULA: http://maisumaaula.blogspot.com/2009/11/sem-tempo-para-escrever.html
A educação recebida na Escola nunca corresponderá a uma «boa intenção» formalmente expressa em Projectos de Escola ou outros. As escolas educam com a sua prática.

A falta de educação e significado na Escola portuguesa será sempre um problema que se constata nas rotinas do seu dia a dia.

Infelizmente, em inúmeras escolas a solução, sendo complicada e chutada por n+1 especialistas, acaba, na prática, nas mãos e cabeça do Director de Turma que o mais das vezes é desautorizado ou impedido de tomar decisões rápidas (no momento) e que na prática terá de encapotar os problemas.

Em inúmeros casos os problemas graves de aprendizagem, violência, roubo ou disfunções familiares são remetidos ao director de turma que responderá a questionários dos tribunais, informará a «protecção de menores» ou etc. etc. Actualmente, sempre que se apregoa o "A escola tem de resolver" ou a "A escola tem de educar" (para os media, a sexualidade, os hábitos alimentares, o consumo, a violência, o ambiente ou para a cidadania etc. etc. ), na prática o «intérprete» será um director de turma soterrado pelo dever de salvar a sociedade portuguesa em 90 minutos - e sem refilar.

A solução tem de ser simples ou não funcionará.